"Trabalhe enquanto eles dormem."
Durante muito tempo, esse foi um mantra da alta performance. Dormir pouco era visto como sinônimo de ambição, enquanto descansar parecia incompatível com o sucesso.
A ciência mostrou que essa lógica não se sustenta. Hoje sabemos que trabalhar por mais tempo não significa produzir melhor.
Dormir bem melhora a capacidade de concentração, fortalece a memória, favorece a tomada de decisões, reduz erros e aumenta a criatividade. Em contrapartida, noites mal dormidas comprometem justamente as habilidades mais valorizadas no mercado atual: raciocínio, atenção, equilíbrio emocional e capacidade de resolver problemas.
Estudos mostram que 58% dos trabalhadores avaliam que a falta de sono prejudica sua produtividade, e o mesmo percentual relata maior dificuldade para concluir tarefas sem cometer erros quando dorme mal. Mais da metade também diz que a privação de sono dificulta cumprir a própria jornada de trabalho. São dados da National Sleep Foundation, na pesquisa Sleep in America 2025.
Embora já tenham sido amplamente contestadas, essas narrativas ainda favorecem fenômenos comportamentais como o presenteísmo nas organizações. A pessoa está na reunião, responde aos e-mails, cumpre o expediente... mas sua capacidade cognitiva está muito abaixo do potencial porque o cérebro não conseguiu processar as informações e consolidar o descanso.
As organizações mais maduras já estão se movimentando em prol de combater esse discurso de alta produtividade que desvaloriza o descanso. O profissional que entrega resultados consistentes ao longo dos anos dificilmente é aquele que vive sacrificando o próprio descanso, mas sim o que consegue zelar por sua energia e clareza mental.