Nos últimos meses, empresas como Livelo, Carrefour Brasil e GOL Linhas Aéreas anunciaram iniciativas voltadas à contratação de profissionais com mais de 50 anos, reforçando discussões sobre diversidade etária e valorização da experiência dentro das organizações.
Quando observamos a transformação demográfica do Brasil, essa pauta torna-se inevitável para o país. Dados recentes do IBGE mostram que a população brasileira chegou a 212,7 milhões de pessoas em 2025, enquanto a parcela de brasileiros com 60 anos ou mais cresceu de 11,3%, em 2012, para 16,6%.
Os dados revelam que o país que envelhece rapidamente e que precisará, inevitavelmente, rever sua relação com trabalho, carreira e longevidade profissional.
Nessa toada, começa a ganhar espaço também o conceito de “quarta idade”, incluindo pessoas acima dos 80 anos e que poderão viver ainda muitos anos. Com o aumento da expectativa de vida, envelhecer deixou de representar necessariamente afastamento social ou improdutividade. Muitas pessoas seguem ativas, produtivas e interessadas em continuar contribuindo profissionalmente por muito mais tempo do que gerações anteriores.
Infelizmente, o mercado ainda carrega uma cultura fortemente associada à juventude e isso cria um paradoxo: empresas buscam maturidade emocional, capacidade de gestão, visão estratégica e uma série de soft skills, mas muitas vezes ainda descartam profissionais de mais idade, justamente quando essas competências estão mais desenvolvidas.
O desafio das organizações está em deixar para trás visões ultrapassadas sobre idade e abrir espaço para ambientes realmente multigeracionais, onde experiência e inovação coexistam. A convivência entre diferentes gerações pode trazer trocas mais ricas e criar equipes mais equilibradas e estratégicas.
A pergunta que fica é: se as pessoas viverão e trabalharão por mais tempo, faz sentido que o mercado continue tratando experiência como limite e não como ativo?